Quem tem razão? Carros, Motos ou pedestres?

O espaço público de ruas e avenidas é alvo de disputa pelos fortalezenses. Motos e carros estampam a falta de cidadania quando não enxergam as necessidades alheias. Número de motocicletas cresceu duas vezes mais rápido que o de carros nos últimos 10 anos na Capital
(Rafael Cavalcante )
 (Rafael Cavalcante )Abrigo para a maior frota nordestina, Fortaleza escapole carros e motocicletas pelo ladrão. O tempo dos afobos é quando o sujeito se locomove. A razão entre carros e motos da Capital caiu pela metade em uma década. Em 2001, eram cinco carros para cada moto. Hoje, são dois e meio. Os dois tipos de transporte privado sofreram boom nas ruas, mas o número de motocicletas cresceu duas vezes mais rápido. A situação revertida traz novos problemas à locomoção dentro da cidade, e submete os condutores a estresse e riscos.

Coabitantes do espaço público, motoristas e motociclistas destilam abusos uns aos outros à revelia do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) – ainda muito omisso em regulamentação ao tráfego sobre duas rodas. Para o motociclista Jair Gregório, de 41 anos, o maior incômodo provocado pelo carro é a seta obsoleta. “Até susto derruba moto, imagina o carro girar com tudo na frente, sem aviso antes”, reclama o mototaxista.

A administradora de 28 anos, Ingrid Moura, mostra o outro lado da moeda: “Incomoda quando aparecem do nada, não tem como prever. Quando andam no corredor em grande velocidade, podem provocar acidentes”. O analista de sistemas Daniel Machado, de 22 anos, complementa: “E a versatilidade do veículo confunde o motoqueiro. Ele faz retorno proibido, avança preferencial. Quando se acidenta, ainda xinga o motorista”, destila magoado.

O sociólogo e escritor Eduardo Piavati, especialista em trânsito, aponta o prenúncio da indigestão: “Condutores de carros não foram treinados para identificar motocicletas. São pequenas, somem do campo de visão. Então dão impressão de atrapalhar o fluxo de veículos. Surgem rápido, são ágeis, e a maioria esmagadora dos motoristas não foi treinada para conviver com elas”.
Fonte O povo online

As moto auto-escolas da Capital não têm obrigação legal no ensino voltado para boa convivência entre duas e quatro rodas. Norteados pela legislação, os instrutores de trânsito alertam para o cuidado do maior veículo com o menor (CTB, Artigo 29, inciso XII, segundo parágrafo). Confrontados com a realidade das ruas, pedem aos motociclistas mais prudência e alerta. Afinal, quando o acidente acontece, o maior prejudicado é o motociclista – esteja certo ou errado.